BRASÍLIA - A descoberta de Stanley Prusiner ganhou destaque quando a encefalite espongiforme bovina, a doença da vaca louca, provocou verdadeira devastação na pecuária britânica e trouxe apreensão aos consumidores de carne de todo o mundo. A partir daí, a teoria
das proteínas de Prusiner -
os príons - ganhou reconhecimento.
Em artigo que publicou em 1995 na revista Scientific American, o professor Prusiner demonstrou grande humildade ao admitir que em 1980 a noção
dos príons só poderia ser considerada como herética pelo mundo científico: naquela época, disse, era dogma que os
agentes de doenças transmissíveis deveriam ser integrados de material genético, de DNA ou RNA, de modo a estabelecer uma infecção na célula anfitriã. Afinal, até mesmo os vírus, dentre os micróbios mais simples, dependem de tal material
para a síntese direta de proteínas, necessárias para a sobrevivência e a reprodução. Não somente nesse aspecto a descoberta de Prusiner chocava-se
com o conhecimento da época. Havia o fato também de que ele apontara as proteínas provocadoras da doença como geradas espontaneamente no organismo, mas também transmissíveis. Essa ação dupla era então desconhecida na ciência médica. E mais ainda, concluiu que os príons se multiplicavam em velocidade extraordinária, pelo simples contato da molécula contaminada com a sã. Os príons de Prusiner são, de fato, os agentes infecciosos mais bizarros que a natureza poderia desenvolver. Nada mais são do que proteína. Príons são a única forma de vida que quebra o grande dogma central da biologia, isto é, o de que todas as formas de vida, dos vírus às bactérias, das plantas aos seres humanos, desdobram-se a partir de códigos contidos em seu DNA, sendo esperado que esses códigos formem as proteínas, que são a base das células, dos tecidos, dos órgãos e dos organismos. As células nervosas comuns produzem proteínas muito parecidas com as mutantes príons, de modo que as defesas naturais do organismo são incapazes de impedir sua expansão.
edsonnunesmacedo
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